Uma dor no joelho. Um problema na lombar. Uma fascite plantar. Uma tendinopatia.
À partida, parecem problemas muito diferentes e localizados. Mas o que acontece quando a dor começa a limitar os movimentos e a atividade física?
Quando uma lesão musculoesquelética persiste, é frequente que algumas pessoas reduzam as caminhadas, deixem de praticar exercício ou passem mais tempo sentadas. A investigação mostra que a dor musculoesquelética persistente está associada a dificuldades em manter níveis adequados de atividade física.
E o movimento tem um papel importante na saúde cardiovascular. A atividade física regular está associada a um menor risco de doença cardiovascular, hipertensão e diabetes. Uma grande meta-análise estimou que passar da inatividade para os níveis recomendados de atividade física poderia estar associado a uma redução de 17% na incidência de doença cardiovascular e de 23% na mortalidade cardiovascular.
É aqui que a Fisioterapia pode ter um papel importante: recuperar o movimento é também ajudar a proteger os benefícios que o movimento traz para a saúde.
Mas existe ainda outra relação que a investigação começa a explorar.
Um estudo recente encontrou uma associação entre fascite plantar e níveis elevados de proteína C-reativa (PCR), um marcador de inflamação, em pessoas com fatores de risco cardiovascular. Outros estudos têm também investigado processos inflamatórios em tendinopatias, como a do tendão de Aquiles.
Isto não significa que uma lesão musculoesquelética provoque doença cardiovascular. Significa que estas relações são complexas e que olhar para a pessoa como um todo pode ser mais importante do que olhar apenas para o local onde dói.
Porque cuidar da dor é importante. Mas recuperar a capacidade de se movimentar também é cuidar da saúde.
Escrito pelo Fisioterapeuta Luís Correia, inscrito nº 930 na Ordem dos Fisioterapeutas.
